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Pinóquio na Escola distingue os melhores projetos de combate à desinformação e reforça o papel da literacia mediática nas escolas

Junho 29, 2026

A segunda edição do Concurso Nacional Pinóquio na Escola voltou a demonstrar que a educação para os media ocupa um lugar cada vez mais relevante nas escolas portuguesas. Os vencedores da edição 2025/2026 foram anunciados no final de junho, distinguindo projetos desenvolvidos por alunos do 3.º Ciclo do Ensino Básico e do Ensino Secundário dedicados à desinformação, à verificação de factos e ao pensamento crítico.

Promovido pelo Polígrafo e pela Fundação Calouste Gulbenkian, em parceria com o Gabinete do Parlamento Europeu em Portugal, a Representação da Comissão Europeia em Portugal e a Agência Nacional Erasmus+ Juventude/Desporto e Corpo Europeu de Solidariedade, o projeto afirma-se como uma das mais abrangentes iniciativas nacionais de promoção da literacia mediática junto da comunidade escolar.

Mais do que um concurso, o Pinóquio na Escola constitui um programa educativo que aproxima os jovens das práticas de verificação de informação e da compreensão crítica do ecossistema mediático, incentivando-os a produzir conhecimento sobre temas que marcam o debate público contemporâneo.

Aprender a verificar antes de partilhar

Ao longo do ano letivo, centenas de alunos foram convidados a investigar afirmações que circulam no espaço público e digital, recorrendo a metodologias de fact-checking para distinguir informação verificada de rumores, manipulações ou conteúdos enganosos.

Os temas escolhidos pelos participantes ilustram a diversidade de desafios informativos que atualmente atravessam a sociedade. Entre os trabalhos distinguidos encontram-se projetos sobre imigração, saúde, alterações climáticas, feminismo, violência escolar, União Europeia, reciclagem de plástico, alergias, teorias da conspiração e desinformação científica.

Esta diversidade demonstra que a literacia mediática ultrapassa largamente a aprendizagem sobre os media. Trata-se de desenvolver competências que permitam compreender como circula a informação, avaliar a credibilidade das fontes, reconhecer estratégias de manipulação e participar de forma mais informada no espaço público.

Vencedores do Ensino Secundário

Na categoria do Ensino Secundário foram distinguidos os projetos:

* Imigração na União Europeia: Factos, Mitos e Desinformação nas Redes Sociais – Escola de Comércio do Porto;
* Cenouras Visionárias – Escola Profissional Gustave Eiffel (Entroncamento);
* A Mentira que Mata: A Teoria da Conspiração da Cura do Cancro Ocultada – Escola Secundária de Cascais;
* Como a ideia da feminilidade mudou ao longo do tempo? – Escola Secundária de Pombal;
* A UE vai ler as tuas mensagens? – Escola Secundária Quinta das Palmeiras (Covilhã);
* Os FactCheck – Escola Secundária Francisco Franco (Funchal);
* Cri-Cri(terioso) – Escola Profissional da Horta.

O júri atribuiu ainda uma menção honrosa ao projeto Factos contra o medo: desmontando mitos sobre imigração e violência, da Escola Básica e Secundária Dr. Mário Fonseca, em Nogueira.

O projeto “A Mentira que Mata: A Teoria da Conspiração da Cura do Cancro Ocultada”, da Escola Secundária de Cascais, foi igualmente distinguido como vencedor nacional do Ensino Secundário.

Vencedores do 3.º Ciclo do Ensino Básico

Na categoria do 3.º Ciclo foram distinguidos:

* Desinformação sobre a quantidade de plástico reciclado no mundo – Escola Secundária Aurélia de Sousa (Porto);
* A violência escolar em Portugal aumentou por causa da imigração? – Agrupamento de Escolas da Lousã;
* Do outro lado da linha – Escola Básica D. Dinis (Odivelas);
* As feministas estão contra as mulheres? – Agrupamento de Escolas de Arraiolos;
* Okupas na UE – Escola Básica e Secundária D. Paio Peres Correia (Tavira);
* Desinformação é como vírus: espalha-se rápido, mas nós somos a vacina! – Escola Básica e Secundária Dr. Ângelo Augusto da Silva (Funchal);
* A Anatomia da Desinformação: O Caso das Alergias – Escola Básica 2/3 de Castro Marim.

Mais de seis mil alunos envolvidos

Os prémios representam apenas a etapa final de um projeto desenvolvido ao longo de todo o ano letivo. Segundo a organização, o Pinóquio na Escola realizou 60 sessões presenciais de literacia mediática, envolvendo mais de seis mil alunos em escolas distribuídas por 24 regiões NUTS III de Portugal.

O programa incluiu igualmente quatro webinars e diversas atividades de sensibilização destinadas a reforçar competências relacionadas com a identificação de conteúdos enganosos, a verificação de factos e a utilização crítica da informação.

Estes números evidenciam uma crescente procura por iniciativas que articulem educação, jornalismo e cidadania digital, aproximando os estudantes dos métodos utilizados pelos profissionais da informação para verificar conteúdos e avaliar a credibilidade das fontes.

Educação para os media como competência democrática

Para Filipe Pardal, diretor de operações do Polígrafo e membro do júri, os trabalhos apresentados demonstram que o principal objetivo da iniciativa vai muito além da aprendizagem de técnicas de verificação.

“A melhor forma de combater a desinformação não é dizer às pessoas no que devem acreditar, mas dar-lhes ferramentas para fazerem as perguntas certas.”

Também Pedro Calado, Diretor do Programa Democracia e Sociedade Civil da Fundação Calouste Gulbenkian, sublinhou que os projetos revelam o potencial dos jovens para assumirem um papel ativo na análise crítica da informação, reforçando a importância da literacia mediática para a participação democrática.

Estas perspetivas refletem uma tendência crescente observada a nível europeu: perante ecossistemas informativos cada vez mais complexos, a resposta à desinformação passa não apenas pelo desenvolvimento de mecanismos de verificação, mas também pelo investimento continuado na educação para os media, no pensamento crítico e na participação cívica.

Uma iniciativa que continua a crescer

Na sua segunda edição, o Pinóquio na Escola consolida-se como uma das principais iniciativas portuguesas dedicadas à promoção da literacia mediática em contexto escolar. Ao envolver estudantes, professores, jornalistas e instituições nacionais e europeias, o projeto contribui para formar cidadãos mais preparados para compreender o funcionamento da informação, identificar conteúdos enganosos e participar de forma responsável no espaço público digital.

Num contexto em que a desinformação continua a representar um desafio para as democracias, iniciativas como esta demonstram que a escola permanece um espaço privilegiado para desenvolver competências críticas que acompanharão os jovens muito para além do percurso escolar.