Novo boletim do PÚBLICO na Escola reforça recursos para trabalhar a desinformação em contexto educativo
July 2, 2026A publicação conclui a série “Vamos falar de desinformação?” e disponibiliza um conjunto de propostas pedagógicas que podem apoiar professores e escolas na promoção da literacia mediática e do pensamento crítico.
A educação para os media continua a afirmar-se como uma das respostas mais importantes aos desafios colocados pela desinformação, pela crescente complexidade dos ecossistemas digitais e pela rápida transformação dos ambientes informativos. Neste contexto, o PÚBLICO na Escola acaba de disponibilizar a segunda parte do boletim “Vamos falar de desinformação?”, encerrando um conjunto de doze propostas de atividades concebidas para apoiar o trabalho de professores e educadores na promoção da literacia mediática.
O recurso integra o projeto Upstream, desenvolvido pelo PÚBLICO em parceria com o MediaLab do ISCTE, com financiamento do European Media and Information Fund (EMIF), e foi pensado sobretudo para alunos do 2.º e 3.º ciclos do ensino básico e do ensino secundário. No entanto, muitas das atividades podem ser facilmente adaptadas a outros contextos educativos, de formação ou de educação não formal.
Ao contrário de materiais que se limitam a explicar o conceito de desinformação, este boletim aposta numa abordagem eminentemente prática. Através de exercícios, exemplos e desafios, convida os participantes a analisar conteúdos, questionar fontes, compreender diferentes formas de manipulação da informação e desenvolver competências de verificação antes da partilha.
Entre os temas abordados encontram-se questões particularmente atuais, como a desinformação partilhada sem intenção de enganar, o papel do humor na circulação de informação falsa, estratégias para desmontar conteúdos enganosos, o potencial dos videojogos na promoção da literacia mediática e a relação entre fact-checking, liberdade de expressão e democracia.
Esta perspetiva está alinhada com uma das tendências mais relevantes da investigação internacional em literacia mediática: a passagem de modelos centrados apenas na análise crítica dos media para abordagens que privilegiam experiências de aprendizagem participativas, baseadas na resolução de problemas e na aplicação prática de competências. Em vez de transmitir respostas prontas, procura-se criar condições para que os próprios alunos desenvolvam capacidade de questionar, investigar e tomar decisões informadas perante a informação que consomem diariamente.
Num momento em que ferramentas de inteligência artificial, algoritmos de recomendação e plataformas digitais alteram profundamente a forma como a informação circula, recursos pedagógicos desta natureza tornam-se particularmente relevantes. A promoção da literacia mediática passa, cada vez mais, por criar oportunidades para experimentar processos de verificação, compreender como são construídas as narrativas mediáticas e reconhecer os mecanismos que favorecem a propagação da desinformação.
O novo boletim representa, por isso, um contributo importante para professores, bibliotecas escolares, jornalistas, investigadores e todos os profissionais que trabalham na área da educação para os media, disponibilizando materiais de utilização gratuita que podem ser integrados em diferentes contextos de aprendizagem.
A publicação conclui a série “Vamos falar de desinformação?”, reunindo um conjunto de recursos que procuram transformar a literacia mediática numa prática quotidiana de cidadania, ajudando os mais jovens a compreender melhor o funcionamento do atual ecossistema informativo e a desenvolver competências essenciais para uma participação crítica e responsável no espaço público.
O boletim pode ser consultado gratuitamente através do seguinte endereço:
Boletim “Vamos falar de desinformação?” (Parte II):
https://static.publico.pt/s3/files/docs/pne-boletim-2026-10.pdf
Esta publicação junta-se ao conjunto de recursos educativos que têm vindo a ser desenvolvidos em Portugal para apoiar a integração da literacia mediática nas escolas, reforçando a importância de disponibilizar ferramentas acessíveis e fundamentadas para enfrentar um dos maiores desafios das democracias contemporâneas: formar cidadãos capazes de interpretar, avaliar e produzir informação de forma crítica e responsável.