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Conferência EU Kids Online Portugal reúne investigadores, educadores e decisores para refletir sobre os desafios digitais das crianças e dos jovens

Setembro 1, 2026

Nos dias 7 e 8 de setembro, a Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa recebe a Conferência EU Kids Online Portugal, um encontro que reúne investigadores, professores, profissionais da educação, representantes de entidades públicas, organizações da sociedade civil e jovens para discutir a forma como crianças e adolescentes vivem, aprendem e participam nos ambientes digitais. Inteligência artificial generativa, literacia digital, cidadania, mediação, riscos e oportunidades estarão entre os principais temas de um programa que reflete algumas das questões mais relevantes da investigação contemporânea sobre infância, media e educação. O MILObs – Observatório sobre Media, Informação e Literacia marcará presença através da participação da sua coordenadora, Sara Pereira.

Num contexto em que as tecnologias digitais ocupam um lugar cada vez mais central na vida quotidiana, compreender como crianças e jovens utilizam a internet deixou de ser apenas uma preocupação das famílias ou das escolas. A forma como comunicam, aprendem, constroem relações sociais, acedem à informação e utilizam ferramentas de inteligência artificial tornou-se igualmente uma questão de investigação científica, de políticas públicas e de cidadania.

É precisamente neste enquadramento que decorre a Conferência EU Kids Online Portugal, organizada pela equipa portuguesa da rede internacional EU Kids Online, nos dias 7 e 8 de setembro, na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. O encontro pretende criar um espaço de diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e diferentes setores da sociedade, aproximando investigação, educação, regulação, saúde, proteção de menores e políticas públicas.

Ao longo de dois dias, investigadores nacionais e internacionais, professores, representantes de organismos públicos, associações, empresas tecnológicas, profissionais da educação, especialistas em saúde e jovens participantes irão discutir algumas das transformações que atualmente marcam o ecossistema digital e as suas implicações para crianças e adolescentes.

Mais do que apresentar resultados científicos, a conferência pretende promover uma reflexão sobre a forma como esses conhecimentos podem contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas, práticas educativas e estratégias de promoção da cidadania digital.

Uma investigação que acompanha a evolução do ambiente digital

Desde 2006, a rede EU Kids Online acompanha a forma como crianças e jovens utilizam a internet, analisando dimensões como oportunidades, riscos, competências digitais, participação online, mediação familiar e escolar e bem-estar digital. Ao longo de quase duas décadas, o projeto tornou-se uma das principais referências internacionais na investigação sobre infância e ambientes digitais, reunindo equipas de dezenas de países europeus.

Portugal integra esta rede desde a sua criação e tem contribuído de forma consistente para o conhecimento sobre a realidade nacional, permitindo acompanhar a evolução das práticas digitais das crianças portuguesas e compreender de que forma estas acompanham as transformações tecnológicas e sociais verificadas na Europa.

A edição de 2026 da conferência surge num momento particularmente relevante. A rápida expansão da inteligência artificial generativa, a crescente influência dos algoritmos na circulação da informação e a transformação das práticas de comunicação e aprendizagem colocam novos desafios à investigação, às escolas, às famílias e aos próprios decisores políticos.

Inteligência artificial generativa no centro do debate

Um dos momentos centrais da conferência será a apresentação dos resultados do estudo europeu “European children’s use and understanding of Generative AI”, desenvolvido pela rede EU Kids Online.

Os dados portugueses mostram que 85% das crianças e jovens entre os 9 e os 17 anos utilizam atualmente ferramentas de inteligência artificial generativa, um valor cerca de dez pontos percentuais acima da média europeia.

A investigação revela igualmente que estes usos vão muito além da experimentação tecnológica. Quase metade dos jovens utiliza estas ferramentas para apoiar atividades escolares, como resumir textos, esclarecer conteúdos ou desenvolver trabalhos de diferentes disciplinas. Simultaneamente, cerca de um quarto dos inquiridos afirma recorrer à inteligência artificial para apoio emocional ou pessoal, evidenciando a crescente integração destas tecnologias na vida quotidiana.

Os resultados identificam ainda diferenças associadas ao género e ao contexto socioeconómico, sugerindo que persistem desigualdades de acesso e de utilização que continuam a caracterizar a chamada divisão digital.

A discussão destes dados permitirá refletir sobre as oportunidades e os desafios que a inteligência artificial coloca à educação, à aprendizagem e ao desenvolvimento de competências críticas.

Muito para além dos riscos

Embora a discussão pública sobre crianças e internet continue frequentemente centrada nos riscos, a conferência propõe uma abordagem mais abrangente, assente na ideia de que compreender a experiência digital das crianças implica analisar simultaneamente oportunidades, competências, direitos, participação e formas de mediação.

O primeiro dia inicia-se com um painel dedicado aos acessos, usos e mediações, onde serão apresentados os mais recentes resultados da investigação portuguesa e discutidos diferentes modelos de acompanhamento desenvolvidos por famílias, escolas e comunidades.

Segue-se uma sessão dedicada à literacia digital, conhecimentos e competências, reunindo investigadores e profissionais da educação que trabalham na promoção de competências críticas e digitais em contexto escolar.

Durante a tarde, o programa centra-se nas novas formas de utilização das tecnologias digitais através de uma mesa-redonda sobre mediações para novos usos, encerrando o dia com um painel dedicado à inteligência artificial generativa, usos, relacionamentos e imaginários, uma das áreas que mais tem mobilizado a investigação internacional.

O MILObs participa no debate sobre literacia digital

O MILObs – Observatório sobre Media, Informação e Literacia estará igualmente representado na conferência através da participação da sua coordenadora, Sara Pereira, Professora Associada com Agregação da Universidade do Minho e uma das principais investigadoras portuguesas na área da literacia mediática.

Sara Pereira integra o painel “Literacia digital – conhecimentos e competências”, onde contribuirá para a discussão sobre os desafios que a transformação digital coloca à educação, à formação de cidadãos críticos e à promoção de competências de literacia mediática ao longo da vida.

A presença do MILObs reforça a ligação do Observatório às principais iniciativas nacionais de investigação e reflexão sobre media, informação e educação, acompanhando debates que assumem crescente relevância num contexto marcado pela inteligência artificial, pela circulação de desinformação e pela rápida evolução dos ambientes digitais.

Um encontro que reúne diferentes perspetivas

Um dos aspetos distintivos da conferência é a diversidade de instituições representadas.

Ao longo dos dois dias participam investigadores de várias universidades portuguesas, professores, bibliotecários, psicólogos, profissionais de saúde, representantes de organismos reguladores, forças de segurança, organizações da sociedade civil, fundações e empresas tecnológicas.

Entre os oradores encontram-se investigadores como Cristina Ponte, Susana Batista, Marisa Torres da Silva, José Alberto Simões, Daniel Cardoso, Ricardo Campos, Estrella Luna e Sara Pereira, entre muitos outros especialistas que têm contribuído para a investigação sobre crianças, media, educação e cidadania digital.

Participam igualmente representantes da Polícia Judiciária, APAV, Google Portugal, DNS.PT, Centro Internet Segura, Comissão Europeia, Programa Escolhas, Confederação Nacional das Associações de Pais, ubbu, ISPA, IPDJ e diversas outras organizações ligadas à educação, proteção de menores e políticas digitais.

Esta diversidade procura precisamente favorecer um diálogo interdisciplinar entre investigação científica, prática educativa e decisão política.

Um debate cada vez mais relevante

A realização desta conferência coincide com um momento de profundas transformações nos ambientes digitais.

A inteligência artificial generativa, a crescente utilização de plataformas digitais, a influência dos algoritmos na circulação da informação e os novos desafios colocados à educação tornam indispensável produzir conhecimento científico que possa apoiar políticas públicas e práticas educativas baseadas em evidência.

Neste contexto, compreender o que fazem as crianças e os jovens online, como utilizam as tecnologias, que competências desenvolvem e que formas de mediação se revelam mais eficazes constitui um desafio que ultrapassa largamente o campo da investigação.

A Conferência EU Kids Online Portugal procura precisamente responder a esse desafio, reunindo diferentes áreas do conhecimento para discutir como promover ambientes digitais mais seguros, inclusivos e favoráveis ao desenvolvimento, à aprendizagem e à participação das novas gerações.

Mais informações

Programa completo da Conferência EU Kids Online Portugal
https://eukidsonline.fcsh.unl.pt/conferencia/programa/

Inscrições (participação presencial ou online)
https://luma.com/uoqnosv6

Lista completa de oradores
https://eukidsonline.fcsh.unl.pt/oradores/

Página oficial da Conferência
https://eukidsonline.fcsh.unl.pt/conferencia/

Relatório “Crianças e jovens (9-17 anos) e Inteligência Artificial Generativa em Portugal”
http://fabricadesites.fcsh.unl.pt/eukidsonline/wp-content/uploads/sites/36/2026/02/RELAT%C3%93RIO-IA-2026-PT.pdf