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Comissão Europeia quer conhecer o estado da literacia mediática nas escolas europeias. Professores e especialistas são convidados a participar em novo inquérito

Agosto 14, 2026

A literacia mediática e digital deixou de ser um tema complementar nos sistemas educativos europeus para assumir um papel central na preparação dos cidadãos para uma sociedade profundamente marcada pela inteligência artificial, pelas plataformas digitais e pela crescente circulação de desinformação. Neste contexto, a Comissão Europeia lançou um novo inquérito dirigido a professores, dirigentes escolares, formadores de docentes e outros profissionais da educação, procurando recolher contributos que ajudem a compreender como estas competências estão atualmente a ser desenvolvidas nas escolas e quais os principais desafios sentidos no terreno.

Mais do que uma simples consulta, a iniciativa representa uma oportunidade para aproximar as políticas europeias da realidade das salas de aula. As respostas irão contribuir para identificar necessidades de formação, prioridades educativas e boas práticas, apoiando futuras iniciativas da União Europeia na promoção da literacia mediática e digital.

O questionário está disponível até 1 de outubro de 2026 e integra os trabalhos da European School Education Platform.

Uma competência essencial para a cidadania democrática

Nos últimos anos, instituições internacionais como a Comissão Europeia, a UNESCO e o Conselho da Europa têm reforçado a ideia de que a literacia mediática constitui uma competência indispensável para a participação democrática.

Num ambiente informativo cada vez mais complexo, compreender como circula a informação, distinguir fontes credíveis, reconhecer conteúdos manipulados ou gerados por inteligência artificial e conhecer o funcionamento dos algoritmos que moldam o acesso às notícias são hoje capacidades fundamentais para o exercício de uma cidadania crítica e informada.

Esta perspetiva encontra-se refletida em documentos estratégicos como o DigComp 3.0 – o Quadro Europeu de Competências Digitais – e no currículo de Literacia Mediática e da Informação da UNESCO, que reconhecem estas competências como parte integrante da educação para o século XXI.

Mais recentemente, em março de 2026, a Comissão Europeia publicou novas orientações destinadas a apoiar professores e educadores no combate à desinformação e na promoção da literacia digital, abordando temas como inteligência artificial generativa, deepfakes, redes sociais e influenciadores digitais.

O que pretende saber a Comissão Europeia?

O novo inquérito procura conhecer de que forma estas recomendações estão, ou não, a chegar às escolas.

Entre os aspetos avaliados encontram-se a integração da literacia mediática nos currículos, o grau de preparação dos docentes para abordar temas relacionados com inteligência artificial, a perceção sobre as competências dos alunos, as necessidades de formação contínua e os recursos atualmente disponíveis.

A consulta pretende igualmente identificar quais os temas considerados prioritários pelos profissionais da educação. Entre eles destacam-se a identificação de fontes fiáveis, o reconhecimento da desinformação, a compreensão do funcionamento dos algoritmos e das plataformas digitais, a identificação de conteúdos produzidos por inteligência artificial, a proteção da privacidade, os direitos digitais e a promoção da cidadania ativa.

Outro objetivo passa por compreender que tipo de apoio é considerado mais necessário para reforçar o ensino da literacia mediática, desde formação especializada e materiais pedagógicos até parcerias com jornalistas, verificadores de factos e outros profissionais da comunicação.

Porque é importante participar?

As políticas públicas de educação tornam-se mais eficazes quando incorporam as experiências daqueles que trabalham diariamente nas escolas.

Professores, diretores, bibliotecários escolares, formadores, investigadores e outros profissionais da educação conhecem de perto os desafios colocados pela rápida transformação do ecossistema mediático. São eles que acompanham o impacto da inteligência artificial no processo de aprendizagem, a utilização crescente das redes sociais pelos alunos, as dificuldades em distinguir informação credível de conteúdos manipulados e as oportunidades oferecidas pelas novas tecnologias para inovar pedagogicamente.

Ao responder ao questionário, estes profissionais poderão contribuir para um retrato europeu mais rigoroso sobre o estado da literacia mediática nas escolas e ajudar a orientar futuras políticas de formação, financiamento e desenvolvimento de recursos educativos.

Num momento em que a desinformação, a inteligência artificial e as plataformas digitais ocupam um lugar central no debate público, conhecer aquilo que acontece efetivamente nas escolas torna-se essencial para construir respostas educativas sustentadas na evidência.

Um convite à comunidade educativa

O MILObs incentiva professores, investigadores, bibliotecários, formadores de docentes, dirigentes escolares e restantes profissionais ligados à educação e à literacia mediática a participarem nesta consulta pública.

Quanto mais diversificada for a participação, mais representativo será o retrato produzido sobre a realidade europeia e maiores serão as possibilidades de desenvolver políticas e recursos ajustados às necessidades das escolas.

A participação é anónima e decorre até ao dia 1 de outubro de 2026.

O questionário pode ser preenchido em:

https://ec.europa.eu/eusurvey/runner/esep-survey-media-literacy

Mais informações sobre a iniciativa estão disponíveis na European School Education Platform:

https://school-education.ec.europa.eu/en/discover/surveys/survey-media-and-digital-literacy-schools