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Mitos do ensino da cidadania digital

Dezembro 14, 2020

Costumamos dizer que as crianças de hoje nascem “com a tecnologia nas mãos”. De facto, numa era de constantes mudanças e necessidade de adaptação ao mundo digital, lidar com os equipamentos desde cedo acaba por ser uma vantagem, no entanto, pode também trazer desafios, perigos ou dilemas que é necessário enfrentar. 

Embora a sensibilização para questões como o ciberbullying, a cibersegurança, o discurso de ódio, as fake news ou o excesso de tempo em frente ao ecrã, deva começar em casa, a escola acaba por complementar esta ação através do ensino de literacia mediática e cidadania digital. 

Por outro lado, também para as escolas a temática pode constituir um desafio que, neste artigo, que tem por fonte a plataforma da Education and Career News, a equipa do MILObs tenta amenizar. Como? Desmistificando três grandes mitos sobre o ensino da cidadania digital.

1. Falta de tempo

Problema: Os professores de hoje estão cada vez mais sobrecarregados e, muitas vezes, a introdução da temática da cidadania digital pode constituir um desvio ao fluxo habitual da aula. 

Solução: Quando possível, introduzir um pequeno debate (semanal ou quinzenal) sobre o tema, seja através de um vídeo, um podcast, uma notícia ou até dúvidas dos próprios alunos, como “O que devo fazer se assistir a uma situação de ciberbullying?” ou “Como saber se aquela notícia é verdadeira?”.

2. Os alunos já usam as tecnologias muito facilmente

Problema: Em inglês encontramos duas expressões que resumem esta questão da melhor forma: os alunos podem ser tech savy, mas não tech smart. Isto significa que saber usar as tecnologias de uma forma quase “especialista”, não quer dizer que se tenham as aptidões necessárias para lidar com os desafios do mundo digital.

Solução: O melhor sobre este mito é que os professores não têm de ser, eles próprios, especialistas em tecnologia para ajudar os alunos. O importante é transmitir sentido de responsabilidade e ensinar a tomar decisões informadas. Um exercício útil passa por confrontá-los com os desafios do digital e questioná-los sobre como os enfrentariam em meios que costumam usar diariamente, como websites de jogos ou redes sociais.

3. A biblioteca escolar já ensina estes conceitos

Problema: Apesar de ser incrível que algumas bibliotecas escolares tomem a iniciativa de sensibilização para a cidadania digital e literacia mediática, o ideal seria que toda a escola se articulasse de forma a trabalhar o tema, em equipa, com os alunos.

Solução: as aulas de Cidadania e Desenvolvimento constituem um ótimo ponto de partida para abordar o assunto com os alunos, mas esta unidade curricular apenas é obrigatória até ao 9º ano de escolaridade. Ainda que haja uma sobrecarga maior nos alunos do Ensino Secundário, devido aos exames nacionais, é crucial que também eles sejam sensibilizados para a temática, de forma a encararem o mundo digital com perspetivas mais adultas e informadas. 

Artigo original na Education and Career News