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Mais de metade dos jovens norte-americanos considera passar demasiado tempo no telemóvel

Agosto 29, 2018

Os pais estão preocupados com o tempo que os filhos adolescentes passam ligados aos smartphones. Mas não são os únicos. Segundo um estudo divulgado recentemente pelo Pew Research Center os próprios jovens manifestam preocupação com o tempo que despendem a interagir com os telemóveis e identificam esta situação como um problema que a geração a que pertencem enfrenta.

O estudo realizado nos Estados Unidos com adolescentes entre os 13 e os 17 anos revela que 54% dos entrevistados admite passar tempo a mais ligado ao telemóvel durante o dia. O tempo passado online, no telemóvel ou em outros dispositivos móveis, é visto pela esmagadora maioria (9 em cada 10) como um problema geracional, sendo que mais de metade (6 em cada 10) afirma mesmo tratar-se de um “grande problema”.

A dependência dos jovens face aos dispositivos móveis manifesta-se logo ao acordar: 72% confessa que, habitual ou ocasionalmente, a primeira coisa que faz ao despertar é ver as notificações e as mensagens no telemóvel.

Outros números confirmam esta estreita relação entre jovens e smartphones: um quarto sente-se ansioso quando não tem o seu telemóvel consigo, sendo que 56% associa esta situação a pelo menos uma das seguintes emoções: solidão, aborrecimento ou ansiedade.

52% dos entrevistados declaram já ter tomado medidas para reduzir o tempo que passam a interagir com diferentes tecnologias e é ainda maior o número daqueles que afirma ter tentado limitar o uso que faz das redes sociais (57%) e dos videojogos (58%). O uso das redes sociais revelou-se ser uma preocupação maior das raparigas e o dos videojogos surgiu como uma preocupação maior dos rapazes.

Paralelamente à aplicação do inquérito a 743 jovens, o Centro norte-americano realizou, também, um inquérito a 1058 pais de adolescentes, com filhos também entre os 13 e os 17 anos.

Entre os progenitores, dois terços (65%) mostraram-se preocupados com o tempo excessivo que os filhos passam em frente aos ecrãs. 57% restringem mesmo o uso que os filhos fazem dos dispositivos eletrónicos.

Mas o problema do tempo passado com os telemóveis não é um exclusivo dos jovens: 36% dos pais julgam passar, eles próprios, demasiado tempo no telemóvel.

Na comparação entre as respostas dos jovens e dos pais há dados curiosos: 72% dos pais garantem que os filhos se distraem com frequência por estarem a usar o telemóvel, mas 51% dos filhos julgam que os pais se distraem igualmente com frequência devido ao uso daquele dispositivo. Em relação à perceção que têm de perder o foco no trabalho ou na escola devido aos smartphones, ela é maior no grupo dos pais do que dos filhos: 15% dos progenitores julga que os telemóveis são responsáveis por perderem frequentemente a concentração no trabalho, enquanto apenas 8% dos jovens afirma perder a concentração nas aulas pela mesma razão.

O relatório completo do estudo pode encontrar-se aqui:

How Teens and Parents Navigate Screen Time and Device Distractions

Foto: d vintage/Creative Commons